Querido Rio Bonito

Querido Rio Bonito

Nas andanças por esse Vale do nosso Rio de São Francisco, em busca de registrar imagens e histórias do povo barranqueiro, variadas paisagens e pessoas se sucederam, fontes puras de ricos conhecimentos, saberes e curiosidades.

Estamos em 2016, quando finalizo o documentário “Centenários do São Francisco – Memórias de um Rio”, uma viagem no tempo e no espaço, numa travessia da nascente até a foz com as diferentes paisagens naturais e cidades que compõem o cenário do rio, por meio dos depoimentos de barranqueiros centenários ou quase centenários. A obra é uma viagem na memória do rio, nos transportando a um outro São Francisco, que existiu no século passado, mas que permanece vivo na mente do povo.

Estive, em Januária, entrevistando o Sr. Benuzinho, de 106 anos, e sua esposa, D. Maria, 100 anos de idade. Corpo e memórias firmes como aroeira, o Sr. Benu descreveu a vida assustadoramente abundante que habitava o São Francisco naquele tempo. A conversa fluiu para a afetividade do povo barranqueiro com o rio. Surpreendentemente nessa hora, Dona Maria revela sua veia poética e declama uma poesia composta por ela para o “rio querido”.

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D. Maria Madalena e Seu Benuzinho

Estamos lançando o novo site da Opará e, buscávamos um espaço para registrar as histórias e relatos dessas andanças rio afora. Inspirado na emocionante súplica da poesia barranqueira, batizamos esse espaço de “QUERIDO RIO BONITO”. Aqui deixaremos compartilhadas as nossas experiências e histórias desse nosso (hoje) tão judiado, tão agredido, tão explorado pela ganância humana e tão carente de socorro Rio São Francisco, mas sem deixar de ser eternamente e ternamente, para todo o povo barranqueiro, um querido rio bonito.

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